A origem dos Corais



  O CORAL SURGIU NO SÉC. XVI.
  Compreendendo Martinho Lutero (1483-1546) a importância da música no culto divino, e a necessidade da participação dos fiéis nos cânticos de louvor a Deus, ao empreender a Reforma, estabeleceu o uso do canto congregacional, abandonado por volta do século VI ou VII. Com a colaboração de João Walther (1496-1570), músico talentoso e amigo, preparou a primeira coleção luterana, Etlich christlich Lieder, Lobgesang und Psalm (geralmente conhecida como Achtliederbuch), impressa em Wittemberg em 1524, incluindo oito cânticos. Mais duas coleções, uma com vinte e cinco (eyn Enchiridion oder Handbuchlein, vulgarmente denominada Erfurter Enchiridion), outra com trinta e dois corais (Geystiche Gesangk buchleyn) foram publicadas nesse mesmo ano. A partir de então, começaram aparecer numerosas coletâneas.
  Incluíam essas edições hinos latinos traduzidos para o alemão (pois Lutero julgava indispensável que o povo entendesse o que estava cantando), cantos espirituais da Idade Média e letras originais. Lutero escreveu trinta e seis hinos, entre textos de inspiração própria, traduções e versificações de passagens bíblicas. Conservou aos hinos latinos e aos cantos da Idade Média as melodias antigas, aplicando, à letras originais, novas músicas (algumas das quais a ele atribuídas) e, principalmente adaptações de melodias já existentes. Estas foram selecionadas dentre o riquíssimo folclore alemão e de outros países.
  Exemplos sem conta de apropriação de melodias profanas pela música religiosa poderiam ser citados. O belo coral O Haupt voll Blut und wunden, tão freqüentemente usado por Bach e quatro vezes apresentado na Paixão segundo São Mateus, sua obra prima, tem origem na canção galante Meu coração está perturbado (Mein Gesmüt ist verwirret). Também canções francesas foram assimiladas através do Saltério Huguenote. A melodia do salmo 42, Ainsi qu’on ouil le cerf bruire, que é uma ária da caça do Rei Henrique II, ligou-se ao coral Freu dich Sehr, o meine seele. Bach fez dessa melodia oito corais: um avulso, um para a cantata profana Höchst erwünschtes Freudenfest e os outros para as Cantatas de igreja Números 19, 25, 30, 32, 39, e 70.
  De início, o coral destinava-se a ser cantado pela congregação sem acompanhamento de órgão, cabendo ao coro ensiná-lo ao povo. Entretanto, como a melodia vinha usualmente no tenor, tronava-se difícil aprende-la, limitando-se os fiéis pouco a pouco, ouvir o coro e cantar, e passando este último a cultivar o moteto, pois as harmonizações da época mais se aproximavam dessa forma musical do que do coral simples. Por esse fato, e sob a influência da música instrumental, desenvolveu-se no seio da Igreja Luterana a cantata, que conseguiu lugar marcado da liturgia. Mas, a seguir, outra influência (a da música italiana, tendente a monodia), conferindo melodia lugar preponderante no conjunto de vozes, transferiu-a do tenor para o soprano, reintegrado o coral em sua verdadeira função e permitindo sem dificuldade a prática do canto congregacional. Nesse momento pode se considerar consolidado o coral, que apresenta harmonização e ritmos próprios, texto em vernáculo e melodia no soprano. Nobreza e majestade caracterizam o coral luterano, cuja influência no desenvolvimento da música alemã foi indiscutivelmente forte.
  Sucessivas edições dos hinários usados nas diferentes regiões germânicas divulgaram, produções, adaptações ou rearmonizações de Lutero, Walther, Calvisius, Eccard, Gesius, Nicolai, Hassler, Vulpius, Praetorius, Schütz, Schein, Sheidt, Grüger, Albert, Ebeling e outros. Em 1697 apareceu em Leipzig uma grande coleção em oito volumes (Andächtiger Seelen geistiches Brand und Gantz-Opfer), talvez a mais completa, abrangendo cerca de cinco mil cânticos.
  Quando João Sebastião Bach (1635-1750), dois séculos depois de Lutero, surgiu no cenário musical, encontro à sua disposição esse vasto acervo, de que soube tirar excelente partido.
Braga, Henriqueta Rosa Fernandes c1947 sexta tiragem 1977, Livraria, Kosmos Editora

Coral ou coro.

A) Grupo de pessoas que cantam juntas. O Choros grego constava de 12 a 24 cantores que em determinada parte do palco (orquestra) dançavam em redor da Thymelle (altar), sob a direção de chorangos que os guiava pelo ruído dos sapatos.
O canto rítmico que acompanhava a dança, e que sempre em uníssono, auxiliado pela cítara que tocava a mesma melodia. Os gêneros principais eram o parodos (canto de entrada), stasima (durante a ação), e aphodos (despedida). O canto não tomava parte na tragédia ou comédia, mas ficava como entidade que influía da ação dos atores.

B) O s coros mais antigos do cristianismo cantavam igualmente só em uníssono ou em oitava. No decorrer dos séculos X a XII distinguia-se mais e mais entre as vozes agudas e baixas dos homens e dos meninos, para as partes diferentes do organum e discuntus:

C) Distinguem-se, segundo a composição, coros de homens (a várias vozes), se senhoras (idem), de meninos, todos eles chamados, quando cantavam só, coros iguais; _ e cantos mistos. de homens e senhoras (ou meninos) juntos; _ o coro duplo costuma ser formado por dois coros mistos;

D) Na igreja Católica, senhoras não podem exercer função de canto litúrgico. (do clero), pertinho do altar. Canto misto de homens e meninos são admitidos e bem vistos em todas as igrejas; Cantos mistos de homens e senhoras em muitas dioceses podem cantar a boa distancia do altar; em outras não; v. Mús. S. 1941, pg 155 e IV. Carta Pastoral de D. Jaime de Barros Câmara, Arc. do Rio de Janeiro N. 20.

E) Chama-se também canto a comunidade religiosa ou o Cabido etc, que recita o Ofício Divino, embora não o cante.

F) O lugar, onde se realizam as funções sacras, seja em frente, dos lados ou atrás do altar, lugar este chamado também de presbitério;

G) em inúmeras igrejas, em particular no Brasil, o Ofício divino é cantado e rezado em um estrado acima da entrada, chamado igualmente Coral;

H) dá-se ainda esse nome à composição musical destinada a ser cantada por um grupo de vozes.

CORO A CAPPELLA OU CORO A SECO 

 
Sem acompanhamento instrumental. No Brasil: Orfeônico.
Pelo Mundo do Som
DICIONÁRIO MUSICAL - Frei Pedro Sinzig, O. F.M. Livraria Kosmos Editora - 1976
geocities.yahoo.com.br/coraiseartes

Coral, música.

Designação genérica da música composta para coros ou grupos de cantores. As peças podem ser executadas a capela ou com acompanhamento instrumental.

Cantata.


Composição para uma ou mais vozes, com acompanhamento. Em sentido restrito, peça sacra para uso litúrgico na Igreja Luterana. 

Cantochão.


Tipo de música vocal, masculina e eclesiástica, executada por coros ou em solo nas cerimônias católicas. Também chamada de canto gregoriano.
Coral, música

  Interpretada por cerca de cinqüenta ou sessenta vozes nas abadias e capelas reais da Idade Média, a música coral viveu momentos de grandiosidade nos festivais Haendel realizados em Londres em meados do século XIX, quando grupos de até três mil cantores se apresentavam no palácio de Cristal.
  Música coral é o conjunto de composições para execução vocal compostas para serem cantadas por um número variável de vozes, sem acompanhamento instrumental (a capela) ou acompanhadas por instrumentos. O coro, conjunto de intérpretes da música coral, tem como objetivo principal atingir uma perfeita homogeneidade e equilíbrio quanto ao volume e timbre das vozes. Os coros podem ser mistos (formados por cantores de sexos e idades diferentes) ou constituídos apenas de vozes femininas, masculinas ou infantis. Não são indispensáveis, para o integrante do coro, dotes vocais excepcionais, mas sim afinação, senso rítmico, musicalidade e noções de solfejo. Normalmente, o coro se compõe de quatro vozes mistas: soprano, contralto, tenor e baixo.
  O repertório coral se compõe de peças cantadas em uníssono, à oitava, ou de composições polifônicas, com partes diferentes. Há obras para coros múltiplos, compostas para mais de um conjunto. No Brasil, o coro orfeônico é aquele que canta a capela.
  História. A função socializadora do canto coletivo, seja religioso ou profano, tem sido constante ao longo dos tempos. Desde a pré-história os homens cantavam em conjunto e encontravam nessa prática uma forma insuperável de integração em suas atividades sociais.
  A música da antigüidade se caracterizava pela presença de grandes massas corais que entoavam hinos religiosos, canções guerreiras e canções de trabalho. O canto gregoriano da Igreja Católica adotou coros em uníssono, ou à oitava, até o século X. As primeiras tentativas polifônicas ocorreram entre os séculos X e XIII, e nelas se distinguem os registros graves e agudos das vozes masculinas e infantis, para as diferentes partes do órgão ou do descanto.
O grande repertório polifônico floresceu e atingiu o apogeu nos séculos XV e XVI. Os cantores deviam ser dotados de qualidades vocais excepcionais, dada a complexidade das peças que executavam. As grandes catedrais disputavam os cantores famosos e popularizaram as vozes dos castrati, que interpretavam as partes de tessitura elevada.
  Do início do cristianismo até o final do Renascimento, coube à música coral o papel de maior relevância na música sacra. O repertório profano teve seu auge na canção francesa e no madrigal italiano para quatro vozes mistas.
  Com o nascimento da harmonia tonal e a criação da ópera, produziu-se uma renovação na música coral. O coro passou a ser empregado na missa, na ópera e no oratório, gêneros que predominaram no sul da Europa, enquanto que nos países que aderiram ao protestantismo se desenvolveram a paixão e a cantata religiosa.
  No século XVIII, as academias e conservatórios acabaram com o monopólio religioso da música vocal de conjunto. Nos cem anos seguintes as associações corais regulares, às vezes de dimensões gigantescas, continuaram a se multiplicar. No século XX, o ressurgimento do repertório folclórico da tradição ocidental, harmonizado para várias vozes, e o aproveitamento de motivos africanos, asiáticos e ameríndios revalorizaram a música coral.
  Coral luterano. Mais especificamente, o termo coral aplica-se ao canto litúrgico alemão criado por Martinho Lutero no século XVI. O coral luterano assegurava a participação dos fiéis no culto por meio do canto comunitário. Um novo estilo, com a realização do baixo cifrado pelo órgão, acrescentou um discreto acompanhamento instrumental às vozes. Todas as capelas contratavam músicos de importância e mantinham corpos corais estáveis.
  Alguns dos colaboradores e seguidores de Lutero, no século XVI, dedicaram-se à composição de peças corais com textos da Bíblia, inicialmente para execução em uníssono e depois com harmonizações para diferentes vozes. Dessa primeira fase da composição para coro são as obras de Johann Walther, Lukas Osiander e Ludwig Senfl. A música coral, no entanto, atingiu sua fase de esplendor com a obra de Bach, no século XVII. Daí em diante, outros grandes compositores consagraram seu talento criador à música coral. Os oratórios de Haendel e as peças de Berlioz, estas interpretadas por coros de até 500 vozes, são algumas das mais grandiosas composições no gênero.
Cantata; Cantochão
http://www.corais.mus.br/

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